Reconstrução das mamas devolve autoestima às mulheres que fazem mastectomia

Reconstrução das mamas devolve autoestima às mulheres que fazem mastectomia

09 out Reconstrução das mamas devolve autoestima às mulheres que fazem mastectomia

Cirurgia pode ser realizada após a retirada do órgão ou com o fim do tratamento, auxiliando as pacientes no processo de recuperação

A descoberta de um câncer de mama hereditário na irmã levou as mulheres da família de Maraiza Antonia Meneguel Venâncio a realizarem o exame que detecta a predisposição genética e, consequentemente, o aumento do risco de desenvolver a doença. Para a surpresa de todos, não apenas ela, mas também sua sobrinha mais velha e a mãe possuíam o gene, fazendo com que o temor do câncer batesse novamente à porta.

No caso de Maraiza, a solução indicada para prevenir foi a retirada total das mamas, mas a paciente ainda não tinha filhos e a impossibilidade de amamentar passou a ser uma preocupação.

“Senti que a retirada das mamas comprometeria uma parte do meu futuro na maternidade. Ainda não tenho filhos, mas senti a dor de perder a conexão da amamentação. Precisei encarar a situação pelo olhar da minha irmã, que está realizando o tratamento de câncer e me mostrou que, na verdade, eu recebi a oportunidade de não passar pelo mesmo que ela”, relata a auxiliar financeira de 40 anos.

Seja como prevenção ou no tratamento contra o câncer, a retirada das mamas pode mexer com a autoestima das mulheres. A impossibilidade de amamentar; as dificuldades com a aceitação do corpo; e a movimentação, em muitos casos, limitada dos braços são algumas das preocupações das pacientes.

De acordo com o cirurgião plástico e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Delmo Sakabe, a reconstrução do órgão devolve a essas mulheres a aparência e a segurança, contribuindo com o processo de recuperação ou, como no caso de Maraisa, na prevenção da doença.

“Quando a reconstrução das mamas é feita de forma imediata, na mesma cirurgia da retirada, torna o processo de tratamento e recuperação mais leve, pois a mulher não enfrenta a fase em que precisa se ver ‘amputada’, o que contribui com a diminuição do sofrimento psicológico da ausência da mama”, afirma.

Ainda segundo o especialista, a definição sobre o momento da cirurgia de reconstrução, se vai ser realizada imediatamente após a mastectomia ou após o término do tratamento, depende do quadro da paciente e leva em consideração, também, o desejo da mulher.

No caso de Maraiza, comenta o especialista, a retirada e a reconstrução da mama simultaneamente permitiram que a paciente não relutasse contra o procedimento, contribuindo, assim, com a prevenção da doença.

“Foi um choque ouvir que, por precaução, eu precisaria fazer a retirada dos seios. Busquei mais de um profissional, pois precisava de outras opiniões. Mas, só quando o médico certo conseguiu me explicar como funcionaria e que eu poderia colocar uma prótese de silicone para reconstruir, é que entendi que havia outros caminhos”, comenta Maraiza.

O cirurgião relata que,assim como em todas as cirurgias, pode haver riscos inerentes ao procedimento, e, em casos mais raros, o corpo pode não aceitar a prótese, o que não foi o caso de Maraiza, que fez a cirurgia há um mês e até já voltou a trabalhar.

“Eu realizei a cirurgia preventiva de retirada das mamas, com a reconstrução e prótese há um mês, assim como minha mãe e minha sobrinha”, comenta Maraiza.

A paciente ainda ressalta a importância da decisão da retirada preventiva do órgão. “Acredito que tudo tenha um propósito e que foi melhor realizar a cirurgia preventiva. Hoje, estou feliz com o resultado e sem a doença. Espero que outras mulheres possam ter a oportunidade de fazer o exame preventivo, mas saibam que a cirurgia de reconstrução de mama também é uma opção.”

Dados sobre o câncer de mama

O câncer de mama é o mais incidente e a principal causa de mortalidade pela doença entre as mulheres no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), e a estimativa é que surjam 74 mil novos casos no país até 2025.
Atualmente, estudos comprovam que a maior parte dos casos de câncer de mama no país são causados por tumores esporádicos, mas de acordo com a Sociedade Brasileira de Mastologia, 10% dos casos podem ocorrer devido à composição genética da família, como no caso de Maraiza.


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Crédito: Divulgação

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