
01 abr Obesidade atinge um em cada três brasileiros em 2025
Último Atlas Mundial da Obesidade aponta que 68% da população possui excesso de peso e 31% desses tem obesidade
A obesidade caminha para ser um problema de saúde pública no país. De acordo com o último Atlas Mundial da Obesidade, até o final de 2025, mais da metade da população (68%) terá excesso de peso e 31% destes serão obesos, ou seja, um em cada três brasileiros.
A pesquisa mostra, ainda, que a obesidade é uma das principais responsáveis por doenças como diabetes, cânceres, doenças cardiovasculares, cardíacas e respiratórias crônicas. Um estudo desenvolvido pelo Programa de Alimentação, Nutrição e Cultura (Palin), da Fiocruz Brasília, indica que, a cada quatro pessoas, três sofrerão com esses problemas de saúde em 2025.
Para os próximos anos, a expectativa da Fundação é que o número continue crescendo e que, em 20 anos, quase metade dos brasileiros (48%) tenha obesidade, enquanto os outros 27% apresentem sobrepeso.
“Eu sei que fui magra em algum momento, porque tenho fotos, mas, desde que me entendo por gente (lá pelos meus oito anos), eu já me via gordinha e acima do peso”. Este é o relato da Erica dos Santos Santana, química, que sente que sempre lutou contra a balança.
De acordo com ela, já houve a possibilidade de fazer a cirurgia bariátrica, mas essa nunca foi sua vontade. “Eu pensava que não tinha jeito, que jamais ia conseguir emagrecer tudo o que precisava sozinha, mas com a ajuda da psicóloga, da nutricionista e fazendo exercícios físicos, isso começou a mudar”.
Depois de quatro anos em busca de uma vida mais saudável, a paciente perdeu 64kg e não se encontra mais no quadro de obesidade. No entanto, foi um longo processo, que contou com o auxílio de diferentes médicos e profissionais da saúde.
Processo complexo
De acordo com o cirurgião plástico Dr. Delmo Sakabe, fundador da Clínica Impact – espaço que une diversos profissionais da saúde que atuam na promoção do equilíbrio entre a saúde física, mental e o bem-estar -, o processo de emagrecimento é bastante complexo.
Ele conta que, para um resultado efetivo e saudável, é indicado que o paciente tenha o apoio de diferentes profissionais, como psicólogos, endocrinologistas, nutricionista, educador físico, entre outros. “Para cada uma dessas áreas, existem profissionais que podem trabalhar com intervenções específicas e de maneira única, considerando cada caso”, afirma.
Segundo o especialista, a procura por auxílio de profissionais deve ser realizada logo no início do processo, quando o paciente observa os primeiros ganhos de peso.
“Quando o paciente percebe que há uma peça fora do comum nesse complemento da saúde, é necessário buscar profissionais adequados assim que possível. Desta forma, eles podem atuar juntos para tornar o tratamento mais completo, solicitando exames e verificando se não há outros problemas de saúde, por exemplo”.
Estresse e saúde mental influenciam
Erica começou o processo de emagrecimento com a terapia em 2012, mas não foi linear. “Eu emagreci e, depois, voltei a engordar. Então, apenas em 2018, quando passei a sentir dificuldade para fazer coisas básicas, como sentar, subir escadas e andar, eu realmente percebi que precisava mudar de vida e buscar auxílio profissional”, relata a paciente.
O estresse e a saúde mental também podem influenciar no emagrecimento, afinal, a mente humana, por diversas vezes, busca uma compensação imediata, que vem por meio de alimentos. “O processo se torna mais difícil quando a pessoa já tem uma saúde mental prejudicada, pois ela pode buscar esse conforto em uma alimentação rica em gorduras e açúcares, o que dificulta a busca pela saúde física”, comenta o cirurgião.
Atualmente, já existem diversas abordagens para o sobrepeso e a obesidade. “Esta é uma área de grande interesse da indústria farmacêutica, então, sempre surgem atualizações e novas medicações sendo lançadas. Mas, nunca considerei que as cirurgias sejam as primeiras opções de tratamento da obesidade. Elas são ferramentas importantes, mas devem ser utilizadas após a tentativa com outros métodos”, comenta Dr. Delmo.
O especialista ainda ressalta que “o tratamento da obesidade é longo, o paciente terá que acompanhar sua evolução durante a vida, por isso, soluções mágicas, que prometem emagrecimento imediato, não são recomendadas. Precisamos ajudar o paciente a tratar a causa e, assim, controlar a compulsão por comida e consequentemente, o ganho de peso”.
FOTOS: LINK AQUI
Crédito: Divulgação
PESQUISA:
FIOCRUZ worldobesity gov.br